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Decepção
Postado por:
Rafael Lourenço do Carmo, em: 10.3.06.
As ditas aulas "inúteis" são as mais ricas fontes de conhecimento em um universo escolar. Não pelo conhecimento que elas transmitem em si, mas pelo momento ocioso que elas criam, que nos leva a divagar sobre os mais estapafúrdios (porém interessantes) assuntos. Foi numa dessas aulas, mais especificamente em uma aula de gramática, que tirei substrato para a construção dessa crônica. Explico: a professora estava dando uma daquelas clássicas aulas sobre morfologia e sintaxe. Bocejos e cochilos tomavam toda a extensão da sala de aula. De repente vi algo que tomou minha atenção. Algo corriqueiro, que eu provavelmente via todos os dias, mas que simplesmente passara despercebido em todas as ocasiões. Uma crescente inquietação começou a crescer dentro de mim. Um anseio lendário causado pela curiosidade. Pode parecer banal agora, mas o que vi foi a palavra "coitado". Começei a tentar deduzir a origem etimológica da palavra, e associei instintivamente a palavra coitado à "coito". Faz todo sentido julgar digno de dó alguém que sofreu um coito, pelo menos para nós homens. Coitado então passara a ser, pelo menos pra mim, alguém digno de pena por ter sofrido o coito. Não podia existir explicação mais correta para a origem dessa palavra. Era perfeito. E eu vivi feliz por um período com essa explicação. Nada me faria acreditar em outra coisa.
Até que, alguns poucos dias depois dessa bendita aula, e outros poucos antes do momento em que esse texto foi escrito, minha ilusão foi por terra instantâneamente. Não sei porque estúpido motivo fui consultar a verdadeira etimologia da palavra. O fato é que fui, e, pra minha decepção, o significado era diferente do que eu esperava.
Coitado: aquele que sofreu a coita (mal ou desgraça).
Não sei quem foi o idiota que criou a palavra, mas até hoje sinto uma ponta de decepção quando penso que coitado não é quem sofreu o coito.
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