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O ó do borogodó
Postado por:
Rafael Lourenço do Carmo, em: 10.5.06.
Qualquer um que se disponha a escrever crônicas deve prestar atenção aos mais peculiares acontecimentos. Aqueles que passam batido por todo mundo, são os melhores assuntos sobre os quais podemos escrever. Foi numa dessas ocasiões que eu notei o fabuloso "ó do borogodó". O "ó do borogodó" é a gíria mais indefinida dentre todas. Ninguém sabe o real sentido dessa antiquíssima expressão. Muitos usam-na com um sentido pejorativo, como, por exemplo, quando a maria-fofoqueira fala pra joana-vida-dos-outros:
-Menina! Você viu aquela blusa da Amanda? -Vi sim, achei o ó do borogodó, ridícula.
Entretanto, o ó do borogodó muitas vezes é usado como adjetivo positivo, e pode ser o mais lindo dos elogios. Imagine um casal de namorados, sentados em um banco branquinho de uma singela praça, à luz da lua e das estrelas, quando ele cochicha no ouvido dela:
-Você é o ó do borogodó, sabia? -Ai, que lindo! Eu te amo - ela responderia -.
Bom, pra ambos os sentidos existe uma explicação lógica. Se paramos pra pensar, borogodó é uma palavra repleta de letras "o", o que tornaria o "ó" do borogodó apenas um outro qualquer, sem nenhuma projeção. Porém, o "ó" é o único "o" da palavra borogodó que é acentuado, o que torna ele único, diferente dos outros. Além disso, o artigo definido "o" antes da expressão destaca esse "o" em relação aos outros. É o ó do borogodó, não um ó do borogodó. Ainda não cheguei a nenhuma conclusão acerca do sentido da expressão, mas tenho a séria impressão de que essa crônica ficou, digamos, o ó do borogodó.
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